13 de setembro de 2016

Cada Detalhe

Um mês se passou desde o primeiro toque, mas cada célula do meu corpo anseia por ti. Você não chegou para preencher vazios existentes ou para ser minha metade, você sempre foi meu por inteiro, entregou-se de corpo e alma, deixou-me entregar e então me apaixonei.
Um encontro inesperado entre cerca de duas mil pessoas aconteceu, e com uma história digna do “Era uma vez…”, te digo que és a poesia mais bonita que escolhi escrever, trouxe alegria para uma vida tão morna e sem sentimentos, trouxe sorrisos para um coração cheio de mágoas e decepções, trouxe o tão sonhado amor de forma tão mais bela e pura, ao mesmo tempo mexendo com os meus instintos mais selvagens e paixões mais secretas. 
Estar com você é como um sonho, mas por favor não me acorde quando raiar o sol! Preciso fazer dos teus lábios o refúgio de minh'alma. Preciso fazer do teu colo a minha fonte de desejos. Preciso de você a qualquer e a todo momento, para ser o meu amor, o meu José, o meu amado. 

Insisto em dizer que foi minha a sorte de ter lhe encontrado, porém deixo pro final a verdadeira razão: foi Deus. Ele nos uniu e hoje sei, ninguém jamais irá separar. Então só casa comigo no domingo de manhã, vem ser meu para sempre e me deixa desfrutar os prazeres de como é maravilhoso amar cada detalhe em você.
Por: Geisa Bomfim

9 de setembro de 2016

Amor de Ninho

No domingo de manhã, ouvi o canto de um passarinho, 
Feliz e agitado, comemorava no seu novo ninho, 
Sorri e disse pra ele: "Meu bem, essa alegria inteira é por ter um lar?"
Ele respondeu de volta: "É por fazer do canto dela o meu par."

Encantada, questionei a origem dessa bonita canção, 
"Uma sexta feira de julho, o olhar dela cruzou o meu,
Depois de um toque, o sentimento floresceu, 
Não hesitei a fazê-la minha noiva e pedir-lhe a sua mão."

Após duas meias palavras, chegava a princesa daquele rapaz,   
Tão bela e sorridente, no seu canto a nova paixão exalava. 
Perguntei-lhe como ele fisgou seu coração de forma tão sagaz, 
"Não sei, mas estranho seria se eu não estivesse apaixonada."

Com um carinho imenso deixava-os sozinhos,
Pensando em tantos amores que cruzam os nossos caminhos.
Não é sempre que se encontra o querido passarinho, 
Que te completa e faz de ti um berço de carinho.
Mas se o amor ousar bater na sua porta, ansiando para entrar,
Não tenha medo e abra, sinta a doçura de poder amar! 
Não é sempre que se encontra um porto seguro em outro alguém, 
Por isso vá em frente, ame e confie, faça-o seu e de mais ninguém.

Por: Geisa Bomfim

4 de setembro de 2016

Carta de um Padre aos seus Coroinhas

Meu filho, antes de entrarmos nos pormenores, eu quero que você saiba o porquê de termos acólitos. Pense um pouco… Será que eu preciso de você para trazer o pão, a água, o vinho para o altar? Não. Eu poderia fazer isso eu mesmo. Será que eu preciso de você para trazer os vasos sagrados para o altar? Não. Eles poderiam já estar perto de mim, sabia? Será que eu preciso de você para levar as velas, a cruz, segurar o Missal? Quer que eu seja sincero? Não… Não preciso de você para tocar o sino, lavar minhas mãos, acompanhar-me na comunhão… Eu poderia fazer isso tudo sem você.

Pode ser que, para você, não seja nada agradável ouvir isso. Pode ser que você dedique muito tempo para esse serviço, estude e se esforce para bem cumpri-lo, e agora o padre lhe diz que não precisa de você?! São palavras difíceis. Mas deixe-me lhe explicar.

Você não foi chamado por Deus para ser útil. Você foi chamado para me ajudar a conduzir o ato mais importante da Terra: A adoração a Deus. Se você conseguir compreender isso, todo o resto que precisa entender virá naturalmente. Você veja, todos nós trabalhamos juntos para levar o povo de Deus à adoração a Deus – não sou apenas eu, você também é responsável. Entenda isso, e você perceberá que todas as outras coisas que você faz são secundárias. Eu confio em você para algo muito maior, mais nobre, mais bonito e verdadeiro.

Nossa adoração na Terra reflete a Adoração Eterna no Céu. O que fazemos aqui, no Santo Sacrifício da Missa, é uma espécie de eco do que se passa no Céu. Lá, o Cordeiro de Deus é oferecido em um único sacrifício atemporal e eterno. Lá, os santos e os anjos adoram ao redor do Trono do Cordeiro. Lá, não há sol, lua ou estrelas, pois o próprio Cordeiro é a Luz. O altar que você vê aqui é um reflexo do altar que existe lá. O sacerdote é um reflexo de Cristo, sumo sacerdote, e quem é você?

Você, coroinha, representa e reflete na Terra todo o exército celestial.
Isso mesmo, você representa e reflete todos os santos e todos os anjos. E não há mais ninguém que possa fazer isso, além de você. Pense um pouco nisso. Não são meras palavras. Pense na honra e na responsabilidade que isso envolve.

Uma vez que você representa o exército celestial de santos e anjos, eu quero que você se comporte como tal. Claro, eu sei que você não é ainda um santo. Você briga com os seus irmãos. Alguns de vocês são provocadores e outros são covardes. Você mente, sente preguiça, fica com raiva, tem maus pensamentos e talvez más ações. Você desobedece seus pais e, às vezes, é egoísta e cruel. No entanto, você tem um papel a desempenhar na Divina Liturgia, porque apesar de tudo isso, você é chamado para refletir algo muito maior. Você é chamado a refletir a santidade de todos os que estão no Céu, apesar de todas estas inclinações negativas. E se, ouvindo isso, você é golpeado com um sentimento de temor pelo que eu estou pedindo de você, pense como eu, sacerdote, me sinto, porque eu sou um pecador como você, e eu sou chamado a algo ainda maior: Ser o próprio Cristo para as pessoas.

Você é chamado ao que milhares de Santos suspiraram ter a vida inteira. Você, mais do que nenhum outro leigo, é chamado a ser imitador de Cristo. Você, ao estar mais perto do altar que todos os demais, também é o que recebe mais graças de todos.

Já que você já sabe a verdade, eis o que vamos fazer. Em primeiro lugar, quando você entrar na igreja, você vai imediatamente colocar sua batina. Ela é sua roupa de trabalho. Servir no templo do Senhor é ser como o menino Samuel que serviu no templo de Deus com simplicidade e bondade. Quando você se move na casa de Deus, faça-o com uma solenidade simples. Não carrancudo e falso piedoso, mas também não sendo um bobo infantil. Basta fazer o que deve fazer – lembrando que você está na casa de Deus, um lugar sério para um negócio sério. Quando você arrumar a credência, acender as velas, organizar os livros e se preparar para a Missa, lembre-se que as pessoas nos bancos estão observando você. Sua reverência, zelo e amor pelo que faz será notada e fará com que todo o povo adore a Deus de modo muito melhor. Então, antes da missa começar, volte para a sacristia. Vamos fazer tudo o que falta fazer, rezar e esperar que a Divina Liturgia comece.

Quando você estiver na Procissão de Entrada, lembre-se que você está guiando todo o povo à presença de Deus. A nossa pequena procissão remonta à procissão de David e os sacerdotes para dentro da cidade sagrada de Sião, ou ainda, a procissão de Nosso Senhor entrando em Jerusalém. A cruz estará erguida, e você vai andar com uma postura solene e imponente, como um verdadeiro soldado, por que você está levando todos nós à presença do Rei dos reis e Senhor dos senhores. Reflita sempre para onde você está indo naquele momento, e vá comigo para lá, com a graça de uma criança e a dignidade de um príncipe. Aonde você vai, vamos atrás.

Você é chamado a uma Cruzada. Uma cruzada de ufania por Nosso Senhor. O que significa ufania? É um sentimento, um estado de alma pelo qual a pessoa tem uma fé que não duvida de nada, um orgulho santo de servir a Deus. O Cruzado, quando ia para a Guerra, partia cheio de ufania. Ufania de ser servo de Nosso Senhor. Ufania, portanto, não é um sentimento de posse ou orgulho, mas um sentimento de profunda humildade, de se reconhecer servo.

Você, meu filho, está na Igreja Militante, uma Igreja que lutará até a consumação dos séculos, porque Ela foi posta para lutar contra o mal. Não se sinta, jamais, sozinho. Sinta esta ufania de ser filho da Igreja, de poder dizer que mesmo se todos os homens na Terra abandonassem a fé, você jamais abandonaria, e teria ao seu lado uma multidão incontável de todos os santos que vieram antes de você, e que você representa na hora da Missa. Você permanecerá firme e, na sua luta contra o mundo, dirá como antigamente os cruzados: Deus vult! Deus o quer!

Você, meu filho, é chamado a representar os santos e os anjos. É chamado a representar e defender a Santa Igreja, numa época em que se fala do progresso como contrário a Ela. Você, pelo seu portar, pelo seu falar, pelo seu agir, terá o desafio constante de enfrentar a luta. Uma luta que seguirá por toda a sua vida. A questão essencial da nossa vida é salvar a nossa alma para a eternidade. Que seja essa a nossa principal proposta e a maior preocupação de nossas vidas.

Enquanto isso, o mundo vai perdendo a fé e a confiança em si mesmo, e olhará para a segurança que você tem, olhará para a sua fé e começará a ouvir cada vez mais a voz que lhe guia, a voz da Roma Católica, guardiã da Fé Católica, a voz da Roma Eterna, mãe e mestra da sabedoria e da verdade. E assim, algo matura, algo se transforma, algo germina. Você é a semente da primavera que germina embaixo do rigoroso inverno do nosso tempo.

Quando você se sentar no presbitério, lembre-se que as ações falam mais alto que palavras. Você pode não ter muitas tarefas para fazer, mas mesmo que não faça nada, você está servindo a nosso Senhor. Simplesmente por sua presença, sua reverência, seu zelo e piedade, você vai ajudar a liderar a adoração e encorajar aqueles que você vê. Quando você tem uma tarefa para fazer, faça com simplicidade e confiança, como convém a um servo do rei. Lembre-se: Se você é desleixado e casual em sua atitude e postura, todos vão perceber isto, e você será o responsável por distrair as pessoas, tirando a atenção delas de Cristo para você, e a Missa não é sobre você é sobre Cristo.

Lembre-se de que o que fazemos na Missa é a coisa mais importante da sua vida. Todo o resto vem depois disso. “Buscai primeiro o Reino de Deus, e todo o resto vos será acrescentado”. Na missa, você vê que a beleza, a verdade e amor são três tesouros insuperáveis, e são três coisas que você não pode comprar. E o que você faz também não se pode comprar. Você não recebe pagamento algum, mas recebe uma recompensa que dinheiro nenhum pode comprar: a recompensa de saber que seu coração é reto diante de Deus, e que você passou uma hora no limiar do Céu.


Eu lhe digo, enfim: Ufania e Coragem! Vá, que Nossa Senhora sempre lhe acompanhe. Deus vult! Deus o quer! Ufania pela Igreja! Ufania por Nossa Senhora! Ufania por Cristo!!!


Texto baseado no post “What I tell my altar servers”, do padre Longenecker.

Foto: Geisa Bomfim

1 de setembro de 2016

Distância < Amizade

Ainda não me acostumei com essa saudade tão constante, e depois de meses vivenciando-a todos os dias, venho deixar meus abraços soltos em palavras que não serão lidas mas são sentidas em cada pedacinho do meu peito. Preciso dizer para o mundo que cada dia é longo demais quando não está aqui. Que a presença da sua amizade sempre foi minha fortaleza, seus conselhos refazem a minha estrutura, me orientando incessantemente como só você faz. 

A distância cala minha voz, aumenta o vazio, o silêncio e a falta de alegria. Porém foi a distância que me fez perceber o anjo presente no meu cotidiano, foi a distância que me fez valorizar cada segundo em tua companhia, foi a distância que me fez valorizar o carinhoso, humilde e fiel Pai espiritual que possuo. 
Diria mil vezes: Obrigada! Obrigada por não ter deixado os quilômetros que nos separam afetar a bela amizade construída e alicerçada na fé. Obrigada pelo carinho manifestado cada dia com mais força e intensidade. Obrigada, sobretudo, por ser você e por compartilhar comigo este amor tão puro e simples, este amor de amigo, de pastor, de Pai.
Por: Geisa Bomfim 

Vida (...)

Após longos meses sem abrir o bloco de notas ou o word em branco para organizar palavras sem sentido e fazê-las transmitir parte do interior escondido entre camadas de proteção, aqui estou mais uma vez. 
Muitas coisas aconteceram desde o primeiro mês do ano. A maioria delas não me causou felicidade ou inspiração para escrever. Pelo contrário... Substituí as palavras por lágrimas, por músicas tristes em noites de terças e quintas. Aos domingos o sorriso parecia voltar a aparecer através de um abraço apertado do qual, se pudesse, teria escolhido não sair nunca. Porém meu coração o bloqueava nas segundas feiras, me presenteando com mais uma semana triste e aparentemente interminável.

Depois de oito meses, volto para essa Central de Confusões para dizer que amadureci, forçadamente. Aprendi o valor da proximidade e a dor da distância. Cresci por escolha própria, e mesmo perdendo parte daquela inocência brilhante, a vida precisou dela e me devolveu como força e fé! Se fé não tivesse, talvez aqui não estaria. Se a fé não fosse meu ponto de paz e equilíbrio, meu coração teria se tornado cinzas incapazes de reacender. E talvez, por a fé ter dominado a única parte feliz em mim, Deus iluminou e guiou meus passos, até a vida sorrir outra vez e me oferecer alguém para chamar de...
Vida.
Por: Geisa Bomfim